{"id":33,"date":"2015-02-08T04:40:29","date_gmt":"2015-02-08T04:40:29","guid":{"rendered":"http:\/\/danielscardoso.net\/blog\/?p=33"},"modified":"2015-02-08T04:40:29","modified_gmt":"2015-02-08T04:40:29","slug":"consenso-activismo-e-accao-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.danielscardoso.net\/blog\/archives\/33","title":{"rendered":"Consenso, activismo e ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/havenuproot.files.wordpress.com\/2014\/05\/consent.jpg\" alt=\"\" width=\"538\" height=\"417\" \/>Tenho vindo a assistir a v\u00e1rios debates por entre o burgo que envolvem os tr\u00eas elementos acima: consentimento\/consenso, activismo e ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. E parece-me que h\u00e1 uma s\u00e9rie de vis\u00f5es confusas que se baseiam em querer acreditar que um mesmo conceito tem valores e significados diferentes consoante calha (ou d\u00e1 jeito) e que a coer\u00eancia interna dos conceitos que se utilizam n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria nem pass\u00edvel a ser alvo de cr\u00edtica quando n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>Uma parte do que se passa tem que ver, parece-me, com um equ\u00edvoco em torno da ideia de consentimento e consensualidade, e de um uso duplo desta express\u00e3o. Por um lado, faz-se uma apologia do consentimento informado, activo e <a href=\"http:\/\/feministing.com\/2010\/10\/27\/on-the-critical-hotness-of-enthusiastic-consent\/\" target=\"_blank\">entusiasta<\/a>, no que tem que ver com quest\u00f5es de g\u00e9nero e, em particular, no campo da viol\u00eancia de g\u00e9nero e viol\u00eancia sexual. Este consentimento implica as quatro coisas que est\u00e3o na imagem ao lado: \u00e9 um processo activo de escolha baseada na tentativa de igualizar os poderes existentes entre pessoas diferentes. A viola\u00e7\u00e3o de qualquer um destes pressupostos implica a impossibilidade de consentir. Por outro lado, emprega-se a express\u00e3o no contexto da ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica activista com algo a alcan\u00e7ar a todo o custo, incluindo for\u00e7ar o conceito de consentimento a encaixar-se em situa\u00e7\u00f5es onde ele n\u00e3o existe como <em>estat\u00e9gia de legitima\u00e7\u00e3o<\/em> da ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pretendida.<\/p>\n<p>Obviamente, o (ab)uso de &#8220;consentimento&#8221; como estrat\u00e9gia de legitima\u00e7\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, uma viola\u00e7\u00e3o da ideia de consentimento, na medida em que constitui uma tentativa de manipula\u00e7\u00e3o do debate pol\u00edtico, e uma tentativa de aquisi\u00e7\u00e3o de superioridade moral por uso de uma express\u00e3o positivamente conotada.<\/p>\n<p>Mais do que isso, a forma como o consentimento \u00e9 tratado dentro do campo da pol\u00edtica e do activismo, e que tal mobiliza\u00e7\u00e3o manipulativa refor\u00e7a, tende geralmente a ter o efeito (pretendido ou n\u00e3o) de silenciar todos os discursos que n\u00e3o fa\u00e7am parte de um\u00a0<em>corpus<\/em> central de vis\u00f5es minimalistas e, por conseguinte, tamb\u00e9m tendencialmente normativas &#8211; algo que as <a href=\"http:\/\/plato.stanford.edu\/entries\/feminism-political\/#AgoFem\" target=\"_blank\">leituras agonistas da teoria pol\u00edtica feminista<\/a> t\u00eam vindo a destacar h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>A resposta a isto, dentro daquilo a que alguns chamam tendenciosamente a &#8220;pol\u00edtica do poss\u00edvel&#8221; (mas s\u00f3 depois de garantirem que t\u00eam o direito a definir o &#8220;poss\u00edvel&#8221;), tem sido o de relaxar ou diminuir o entendimento de &#8220;consentimento&#8221; ou &#8220;consenso&#8221;, para uma vers\u00e3o em que a aus\u00eancia de uma oposi\u00e7\u00e3o forte, total e fracturante significa, de alguma forma, &#8220;consenso&#8221;. O paralelismo aqui \u00e9 \u00f3bvio com as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia\u00a0sexual e de g\u00e9nero: na aus\u00eancia de um &#8220;n\u00e3o&#8221; auto-evidente e for\u00e7osamente afirmado, considera-se leg\u00edtimo ler um &#8220;sim&#8221;.<\/p>\n<p>Como \u00e9 evidente pelo paralelismo acima, acho esta solu\u00e7\u00e3o perigosa e incoerente. Esta &#8220;solu\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 feita funcionar porque espalma num s\u00f3 n\u00edvel aquilo que, na verdade, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o complexa e com v\u00e1rios n\u00edveis de participa\u00e7\u00e3o, presen\u00e7a e, portanto, consentimento.<\/p>\n<p>E, embora possa inicialmente parecer paradoxal, em contexto activista, de tomadas de decis\u00e3o pol\u00edtica e de percursos de ac\u00e7\u00e3o, as ac\u00e7\u00f5es\u00a0consensuais\u00a0<em>podem<\/em> ser um alvo importante a atingir, mas\u00a0<em>n\u00e3o s\u00e3o sempre<\/em> sequer o resultado mais desej\u00e1vel, dependendo das circunst\u00e2ncias. E, note-se, falei de\u00a0<em>ac\u00e7\u00f5es<\/em> e n\u00e3o de\u00a0<em>posi\u00e7\u00f5es<\/em> ou cren\u00e7as &#8211; esta distin\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. N\u00e3o se trata de decidir em que acreditamos ou o que defendemos, mas o que\u00a0<em>fazemos<\/em> num dado momento, perante determinadas circunst\u00e2ncias (embora as duas coisas devam estar sempre t\u00e3o ligadas quanto poss\u00edvel), e sempre mantendo em mente que \u00e9 poss\u00edvel\u00a0<em>fazer<\/em> diferentes coisas simultaneamente.<\/p>\n<p>Peguemos num exemplo pr\u00e1tico, embora hipot\u00e9tico: o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Eu sou, consensualmente, contra a exist\u00eancia de discrimina\u00e7\u00f5es legais em fun\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o sexual. Mas eu sou tamb\u00e9m contra a exist\u00eancia do casamento enquanto institui\u00e7\u00e3o. Isso quer dizer que algu\u00e9m pode, por mim, e com o meu consentimento, afirmar que h\u00e1 que acabar com a exist\u00eancia de discrimina\u00e7\u00f5es legais em fun\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o sexual, mas n\u00e3o dizer, com o meu consentimento, que eu sou simplesmente &#8220;a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo&#8221;. Eu sou capaz de participar, consensualmente, numa iniciativa que suporte o casamento entre pessoas do mesmo sexo\u00a0<em>enquanto<\/em> combate \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es legais, mas n\u00e3o \u00e9 consensual da minha parte que essa participa\u00e7\u00e3o seja feita \u00e0s custas do silenciamento das cr\u00edticas \u00e0 institui\u00e7\u00e3o do casamento, em simult\u00e2neo.<\/p>\n<p>Igualmente &#8211; e agora vem a\u00ed o\u00a0<em>passo importante<\/em> nesta conversa &#8211; eu posso consentir-me em manter-me numa plataforma de tomada de decis\u00e3o e iniciativa,\u00a0<em>ainda que<\/em> tenha sido decidido algo que vai contra aquilo em que eu consentiria (e.g.: uma iniciativa a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo que silenciasse quest\u00f5es cr\u00edticas da institui\u00e7\u00e3o do casamento).\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\">Mas isso n\u00e3o quer dizer que essa iniciativa foi tomada com o meu consentimento<\/span>. Isso quer dizer que houve uma vota\u00e7\u00e3o, eu estava em minoria, e\u00a0<em>perdi<\/em>. Tomar a minha presen\u00e7a continuada na plataforma que tomou essa decis\u00e3o, ou tomar o silenciamento posterior das minhas objec\u00e7\u00f5es, como representando uma qualquer forma de consentimento \u00e9\u00a0<em>subverter o pr\u00f3prio conceito<\/em> de consentimento. Numa situa\u00e7\u00e3o destas, h\u00e1 que assumir: a iniciativa foi feita por essa plataforma, mas n\u00e3o com o consentimento de todas as pessoas\/institui\u00e7\u00f5es\/grupos envolvidos, e sim por voto maiorit\u00e1rio. Pretender apresentar isto como um consentimento impl\u00edcito para fins de ret\u00f3rica pol\u00edtica unit\u00e1ria \u00e9 falsificar o processo pol\u00edtico subjacente, roubando-o de transpar\u00eancia. \u00c9 pegar, como bem avisam as te\u00f3ricas da teoria pol\u00edtica feminista agonista, no consenso como arma para impedir o reconhecimento de vozes subalternas.<\/p>\n<p>No ponto inverso, bloquear uma medida tomada numa plataforma &#8211; como, por exemplo, a exist\u00eancia de um documento pol\u00edtico comum inclusivo por discord\u00e2ncias pela presen\u00e7a de linguagem <em>mais<\/em> inclusiva\u00a0&#8211; usando como argumento o consenso \u00e9 igualmente uma subvers\u00e3o do conceito. O truque aqui \u00e9 invertido: se algu\u00e9m n\u00e3o defende uma posi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o ningu\u00e9m a pode expressar, por causa do &#8220;consenso&#8221; &#8211; o efeito, por\u00e9m, \u00e9 o mesmo e assim se identifica o abuso cometido. O efeito \u00e9 o sil\u00eancio daquilo que cai fora do tal\u00a0<em>corpus<\/em> central de vis\u00f5es minimalistas. Na verdade, por\u00e9m, isto representa o uso do voto (sob a capa do consenso) como poder de\u00a0<em>veto<\/em>. N\u00e3o \u00e9 diferente do que acontece, por exemplo, quando a ONU n\u00e3o reconhece o Estado Palestiniano pelo veto de uns poucos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2666\u2666\u2666<\/p>\n<p>Poder-se-ia, neste momento, supor que caio apenas no erro de defender uma abordagem pol\u00edtica utilitarista, do voto da maioria como supremo e soberano &#8211; mas tal n\u00e3o poderia estar mais longe de uma correcta leitura do acima. Trata-se, no campo das tomadas de decis\u00e3o pol\u00edticas, de uma secundariza\u00e7\u00e3o (te\u00f3rica e pr\u00e1tica) da ideia de consenso como ferramenta \u00fanica de legitima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, e tamb\u00e9m da secundariza\u00e7\u00e3o da maioria como ferramenta de legitima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Trata-se da\u00a0<strong>primazia da diversidade e da pluralidade de vozes, corpos e exist\u00eancias<\/strong>. Toda a decis\u00e3o que tem como consequ\u00eancia final o silenciamento de vozes, corpos e exist\u00eancias que j\u00e1 s\u00e3o alvo de opress\u00e3o social \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, problem\u00e1tica e politicamente insustent\u00e1vel, porque injusta e ela mesma opressiva.<\/p>\n<p>Voltando aos exemplos acima: no primeiro caso, a decis\u00e3o de fazer um evento com exclus\u00e3o das vis\u00f5es cr\u00edticas sobre a institui\u00e7\u00e3o do casamento pode existir, mas n\u00e3o com o meu consentimento, porque isso seria legitimar o silenciamento das vozes que fazem essas mesmas cr\u00edticas. Por outro lado, caso eu tentasse bloquear por veto (por falta de &#8220;consenso&#8221;) esse mesmo evento, estaria tamb\u00e9m eu a legitimar o silenciamento das vozes que usam o casamento entre pessoas do mesmo sexo como uma forma de combater as discrimina\u00e7\u00f5es legais em fun\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o sexual &#8211; o que seria igualmente ileg\u00edtimo.<\/p>\n<p>O segundo caso \u00e9 o exemplo do que acontece quando algu\u00e9m esquece esta \u00faltima frase do par\u00e1grafo anterior. Algu\u00e9m n\u00e3o se revendo numa qualquer reivindica\u00e7\u00e3o emprega\u00a0a import\u00e2ncia do &#8220;consenso&#8221; (falso) como forma de silenciar determinadas vozes, corpos e exist\u00eancias, contribuindo assim para legitimar as desigualdades de poder e visibilidade j\u00e1 existentes na sociedade normativa. Isto \u00e9, evidentemente, tamb\u00e9m opressivo.<\/p>\n<p>Poder-se-ia, agora, supor que caio no erro de fetichizar a diversidade de tal forma que todas as vozes s\u00e3o consideradas equivalentes. Mais uma vez, nada poderia estar mais longe da verdade. Num contexto activista e pol\u00edtico, a import\u00e2ncia e centralidade das vozes \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o inversa do poder que estas det\u00eam socialmente. Ou seja, quanto mais longe um determinado grupo est\u00e1 daquilo que a sociedade normativamente considera digno de aten\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, quanto menos poder tem &#8211; e este &#8220;longe&#8221; funciona evidentemente atrav\u00e9s de uma <a href=\"http:\/\/socialdifference.columbia.edu\/files\/socialdiff\/projects\/Article__Mapping_the_Margins_by_Kimblere_Crenshaw.pdf\" target=\"_blank\">anal\u00edtica feminista interseccional<\/a> &#8211; mais importante se torna para os outros grupos salvaguardar e apoiar a exist\u00eancia e express\u00e3o da voz desse grupo; na verdade, torna-se a sua obriga\u00e7\u00e3o politico-moral, no campo do activismo. Assim, num espa\u00e7o activista feminista\u00a0<em>queer<\/em>, n\u00e3o s\u00e3o as vozes cis-hetero que valem mais, n\u00e3o s\u00e3o as vozes \u00a0brancas que valem mais, n\u00e3o s\u00e3o as vozes\u00a0<em>gay-conservadoras<\/em> que valem mais e por a\u00ed em diante, em mil e uma combina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 que, exemplo <i>in extremis<\/i>, a tentativa (por veto, voto, ou seja-l\u00e1-o-que-for) de criar espa\u00e7o para a express\u00e3o de uma voz xen\u00f3foba ou racista teria peso zero: a rela\u00e7\u00e3o entre essa voz e o sistema normativo de poder \u00e9 demasiado grande. Por isso \u00e9 que, num movimento LGBTQIA+ que se preze, as \u00faltimas vozes a serem prioritizadas e consideradas ter\u00e3o sempre de ser as de qualquer grupo, organiza\u00e7\u00e3o ou estrutura que mais se aproxime dos ideais normativos m\u00ednimos que as estruturas de poder social replicam, tendo em conta o papel nocivo da <a href=\"http:\/\/everydayfeminism.com\/2015\/01\/homonormativity-101\/\" target=\"_blank\">homonormatividade<\/a>; muito menos deve qualquer grupo, independentemente da sua posi\u00e7\u00e3o neste esquema, servir-se da influ\u00eancia que possa ter para criar seja que tipo de silenciamento for em rela\u00e7\u00e3o a quaisquer vozes, corpos e exist\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Vers\u00e3o TL;DR: Se o teu activismo depende do silenciamento de vozes, corpos e exist\u00eancias j\u00e1 discriminadas, you&#8217;re doing it wrong.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho vindo a assistir a v\u00e1rios debates por entre o burgo que envolvem os tr\u00eas elementos acima: consentimento\/consenso, activismo e ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. 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