A imprensa como facilitadora de voyeurismo sexual: Representações de BDSM e de fetichismo no jornalismo em Portugal

Daniel Cardoso, FCSH-UNL/ECATI-ULHT

Mafalda Mota, FPCE-UP

Abstract

Com o crescimento de referências na cultura popular ao BDSM e fetichismo, tem também crescido a atenção jornalística, em Portugal, sobre o tema. No entanto, e apesar de a cobertura de temas associados a minorias sexuais já ter recebido alguma atenção na investigação em Portugal (e.g.: Caldeira, 2006), o BDSM e fetichismo continuam largamente por explorar.

O BDSM e fetichismo, aqui tratados como uma narrativa emergente da cidadania da intimidade (Plummer, 1994) têm, no contexto académico anglófono, recebido bem mais atenção de várias áreas de investigação (e.g.: antropologia, psicologia, sociologia) do que em Portugal, onde as abordagens mais conhecidas são principalmente da psicologia (Monteiro Pascoal, Cardoso, & Henriques, 2015; Mota, 2011; Mota & Oliveira, 2012), embora também surjam de outras áreas (Cardoso, 2012; Venâncio Monteiro, 2012). Porém, até ao momento, não se conhecem estudos especificamente sobre as representações mediáticas do BDSM e do fetichismo em Portugal.

Assim, este estudo tem um carácter exploratório, procedendo a um levantamento de conveniência dos órgãos de comunicação social de imprensa escrita portugueses onde já se publicou sobre BDSM a partir dos acervos pessoais dos investigadores e da comunidade BDSM em Portugal. A análise debruça-se tanto sobre as imagens usadas para ilustrar os artigos como sobre os textos em si. Para analisar estes últimos foi criada uma grelha de análise de conteúdo a partir do trabalho de Weiss (2006), que olha criticamente para o processo de popularização e normalização do tema no contexto da imprensa norte-americana.

Porém, e contra a interpretação pessimista da autora, argumentamos que é possível, na linha de argumentação de Segdwick, fazer uma “leitura reparativa” (Sedgwick, 1997) destes artigos que normalizam o BDSM, sem com isso se negar o papel importante que o capitalismo neoliberal tem tido na produção de uma “SM-normatividade” (Dymock, 2013; Weiss, 2008). Seguindo Dymock, os dados apresentados comparam artigos publicados antes do “efeito 50 Sombras de Grey” e depois dele.

Nesse sentido, os resultados que apresentamos são ambíguos: por um lado, há uma crescente criação de espaços de fala na primeira pessoa para membros da comunidade BDSM em Portugal; por outro, o enquadramento do seu discurso como Outro, mantendo e policiando as fronteiras entre sexualidades normativas e não-normativas (Rubin, 2007). Também ao nível das imagens, a apresentação genderizada de homens e mulheres viola os cânones convencionais que tornam o corpo feminino como representável apenas ao nível da sua disponibilidade enquanto objecto, mas fá-lo através de uma exotização e de uma construção imagética muito pouco diversa do que é o BDSM e o fetichismo. Por último, traçamos também a manutenção da importância dos discursos das “ciências psi” (Foucault, 1994; Rose, 1998) na validação, enquadramento e legitimação das vozes da comunidade BDSM, e as consequências que advêm destes resultados para as políticas de sexualidade contemporâneas.

Áudio


Seminário de Tradução de Inglês 2015 (2)

No dia 17 de Novembro de 2015, e a convite da Professora Susana Valdez, fui orador convidado do Seminário de Tradução de Inglês da FCSH - UNL.

Fica aqui a bibliografia de apoio utilizada.

 

Bibliografia

Disponível para download aqui.

 

Aulas anteriores

Seminário de Tradução de Inglês 2015

Curso Livre «Media e Género»

Está agora aberta a inscrição para a abertura de um Curso Livre «Media e Género»  na Universidade Lusófona.

O curso necessita de dez pessoas inscritas para abrir.

Creditação: 5 ECTS

Data de início: 18 de Fevereiro de 2016, 19:30 - 22:30

Duração: 45 horas - 3h/semana - 15 semanas

Mais informação abaixo...

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Cyberculture Seminar 2015

In 2015, the Cyberculture seminar at FCSH-UNL was given in English.

 

You can find the bibliography and recording on this page.

As before, the topic was the cyborg, its relation to the western liberal subject and queer theory.

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