Ficção científica (social) - As ténues fronteiras entre real e ficção

Apresentado no Colóquio Cibercultura e Ficção, dia 1 de Março de 2012. Versão de RASCUNHO.

Referência da versão publicada:

Cardoso, D. (2012). Ficção Científica (Social): As Ténues Fronteiras entre Real e Ficção. In J. M. Rosa (Ed.), Cibercultura e Ficção (pp. 203–214). Lisboa: Documenta.

 

Gravação da Apresentação

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Resumo

Pensar a ficção científica na sua interacção com o tecido social é, geralmente, pensar nas tecnologias que ajudou a inspirar, numa relação quase mítica entre ficção e realidade, procurando as semelhanças e lendo-as como mecanismo profético. A partir de um exemplo apenas, o caso de “Um Estranho Numa Terra Estranha”, coloca-se aqui o desafio de pensar a ficção científica como ficção científica (social). Ou seja, a ficção científica também é (e também inspira) tecnologias sociais, desafiando pressupostos e também gerando linguagem, na construção de heterotopias (ou distopias). Isto sucede, no caso em questão, por um movimento de imitação directa e de memética, cujas marcas ainda se podem sentir, na (ciber-)cultura – que então não existia – em torno do “poliamor”.

Palavras-chave: meme, cibercultura, tecnologias sociais, heterotopia, poliamor

 

Introdução

Now, I will stipulate that science fiction writers often think that they’re predicting the future. The field lays claim to various successes, from flip-phones to the Web, waterbeds to rocket-ships, robots to polyamory. (Doctorow, 2012)

Cory Doctorow escreveu o texto de opinião acima com o objectivo de opor à ideia de uma ficção científica que prevê ou provoca o futuro, uma outra ficção científica que inspira esse mesmo futuro e que também nos fornece com as ferramentas linguísticas para falar sobre esse mesmo futuro (discutindo o presente através desses termos). O poliamor é um dos fenómenos apontados como sendo, não previsto, mas inspirado pela ficção científica. Estabelece-se assim uma relação de causalidade (no mesmo artigo “os engenheiros da Motorola eram trekkies” explicaria a semelhança entre os dispositivos de Star Trek e os telemóveis flip-phone).

Este trabalho pretende ser uma exploração inicial dos seguintes temas: os problemas em torno desta noção de causalidade inspiracional; o papel das ciências sociais como estando praticamente ausentes daquilo que classificaria uma obra como sendo de ficção científica; por fim, uma possível releitura da ficção científica a partir da noção de heterotopia que poderá mais claramente elucidar os dois pontos anteriores. Para tal, olha-se aqui precisamente para um dos exemplos avançados por Doctorow – o poliamor – e a sua ligação com um dos principais autores de ficção científica norte-americanos, Robert Heinlein (através da sua obra Um Estranho Numa Terra Estranha (UENTE)).

Breve história de um conceito

“Poliamor”, enquanto conceito, tem sido definido academicamente como “a suposição [assumption] de que é possível, válido e valioso [worthwhile] manter relações íntimas, sexuais e/ou amorosas com mais do que uma pessoa” (Haritaworn, Lin, & Klesse, 2006, p 518). Para abreviar uma história longa – e já desenvolvida noutro sítio (Cardoso, 2011) – esta expressão já estava em uso, enquanto adjectivo, desde 1953, mas só em 1990 foi usada (ou inventada) enquanto substantivo; voltou a sê-lo em 1992, num contexto completamente diferente (para a criação de uma mailing list na Usenet).

Mas é a primeira utilização da palavra que está ligada com a obra de ficção científica. Oberon Zell era um ávido leitor de Robert Heinlein e, através de um amigo, descobriu o livro, com o qual se identificou profundamente. Dessa identificação surgiu a ideia de replicar algo que estava presente nos livros, uma espécie de organização religiosa que tinha como nome exactamente aquele que estava no livro: a Igreja de Todos os Mundos (Alan, 2010). É durante um workshop sobre relacionamentos que Oberon e a sua companheira decidem implementar a palavra “poliamor” (depois de ter usado a forma “poli-amoroso” numa newsletter no mesmo ano, uns meses antes) (Alan, 2007)). E se a Igreja de Todos os Mundos, com a sua newsletter, foi um dos pontos de disseminação, o outro foi a referida mailing list, criada dois anos depois, por pessoas que nada tinham que ver com este grupo. A partir desses vários pontos, e especialmente com o crescimento da Internet, “poliamor” deixou de ser um neologismo para passar a ser, efectivamente, um meme de pleno direito – um “novo replicador, um substantivo que transmite a ideia de uma unidade de transmissão cultural, ou uma unidade de imitação” (Dawkins, 2006, p 192).

Inspiração como influência dos media

Ao falar da importância da ficção científica para o que é actualmente o poliamor, Doctorow (2012) junta-se a uma série de outros autores que já antes fizeram a mesma contenção (Alan, 2010; Ard, 2005). De acordo com esta visão, Robert Heinlein, através de UENTE, influenciou definitivamente um grande número de pessoas, fazendo-as aperceber-se de oportunidades e possibilidades para além da mono-normatividade, e dando-lhes as ferramentas linguísticas necessárias para abordar essa experiência. Face a esta perspectiva, Heinlen surgiria então como uma espécie de escritor de vanguarda, cuja obra teve mais impacto do que outras semelhantes, como The Harrad Experiment, escrito por Robert Rimmer e que também aborda temas relacionados com a não-monogamia – impacto esse directo (pela performatividade da sua obra sobre as vidas das pessoas que a leram) e indirecto (por ter levado Oberon a inventar a palavra pela primeira vez na sua forma substantiva).

Porém, como foi dito acima, existem vários problemas com esta visão, alguns dos quais nos levam a olhar mais de perto para o contexto em que Heinlein e seus conterrâneos contemporâneos escreviam. Neste aspecto, apesar de Rob Latham (2008, p 55) afirmar que “o trabalho de Robert Heinlein durante a década de 1960 cada vez se debruçou mais sobre questões sexuais, culminando com o embaraçoso fiasco de Não Temerei Nenhum Mal (1970)”, não deixa de ser verdade que os autores contemporâneos de Heinlein tinham sobre a obra deste uma visão muito crítica. Michael Moorcock, editor da New Worlds, escreveu: “[…] não serve de nada viver nos mundos de escritores como Heinlein e fora dos seus termos, símbolos, contextos e até ideias” (in Latham, 2008, p 61). Heinlein faz, até certo ponto, a transição entre a ficção científica mais própria da Era Dourada para esta Nova Era da ficção científica, mais típica dos anos de 1960. O objectivo deste trabalho não é, certamente, tentar encontrar na vida do autor a verdade da sua obra – não obstante, não deixa de ser importante o contexto desta obra face às outras da mesma época e, se Heinlein procedeu efectivamente a uma deslocação do seu campo de interesses e temáticas abordadas, não o terá possivelmente feito com a mesma intensidade ou incidência que outros autores. Se faz parte do argumento da relevância de UENTE para o poliamor o quanto Heinlein escreveu uma obra paradigmática, torna-se complicado demonstrar essa mudança de paradigma face a outros trabalhos, potencialmente mais revolucionários ou diferenciados perante a tradição da Era Dourada da Ficção Científica. Isto não é o mesmo que dizer que nenhuma das publicações de Heinlein anterior à década de 60 granjeava de aceitação total e não provocara nunca celeuma – ainda assim, é notória a diferença entre os livros dele (mesmo os escritos entre 60 e 70) e, por exemplo, A Mão Esquerda das Trevas, de LeGuin.

Mais ainda: é necessário compreender, se tomarmos UENTE como inspiração do movimento poliamoroso, como é que um livro que apresenta características claramente misóginas, homofóbicas e até, ocasionalmente racistas se pode posicionar como génese de um movimento antitético a tudo isto. Na medida em que o movimento poliamoroso apresenta várias intersecções estratégias e práticas com as várias comunidades LGBT e mesmo kinky/BDSM ao redor do mundo – e na medida em que há uma forte base feminista na maneira como o poliamor é construído teoricamente, como argumentado já (Cardoso, Correia, & Capella, 2009) – este desvia-se claramente das intenções ou visão do livro, não numa tangente, mas numa oposição de base. Claro que a inspiração não tem que proceder apenas por imitação, mas esta diferença não parece apontar para um simples caso de inspiração.

Porém, um elemento talvez ainda mais contundente na contestação da retórica inspiracional de UENTE para o poliamor pode encontrar-se num comentário feito por Michael Rios – um investigador também na área da sexualidade e do poliamor – no post de Alan (Alan, 2010):

“O poliamor é uma ideia e prática cujo tempo tinha chegado, e Heinlein foi um dos, mas longe de ser o único ou primeiro, dos porta-vozes para estes conceitos. Eu fiz parte de uma comuna poliamorosa que foi fundada em 1964, e nenhum de nós tinha lido UENTE […].

Portanto, eu vejo o poliamor como um produto dos tempos, e que estava a ser criado e explorado de forma independente por muitas pessoas em muitos lugares. Heinlein contribuiu para isso, mas sem UENTE duvido que o poliamor fosse hoje em dia muito diferente”.

É fundamental o enquadramento oferecido aqui por Rios – a ideia de inspiração parte do pressuposto que os avanços técnico-científicos surgem na medida em que existe um elemento separado, único, que despoleta tudo aquilo que vem a seguir; um golpe de genialidade racional que vem instaurar uma mudança que, de outra forma, não teria ocorrido. Este elemento está presente tanto na ideia que a ficção científica prevê o futuro (porque a genialidade está em saber de antemão aquilo que terá de suceder) como na ideia de que existe uma influência univocamente demarcada. Ademais, a ideia da ficção científica como factor de inspiração entra dentro do conjunto de noções que Raymond Williams (1974) critica, quando contesta o tecno-determinismo, ao colocar a ficção científica enquanto um produto quase aculturalmente produzido, que vem de fora, produzir efeitos primeiros sobre uma cultura tecnocientífica aberta (ou mesmo dependente) desses inputs originários. A ficção científica enquanto produto cultural é, ela também, influenciada por vários outros elementos, produzida dentro de uma determinada trama linguística e discursiva, uma expressão de algo que, por ser expresso, se altera nesse mesmo momento performativo. Na medida em que a palavra “poliamor”, as suas práticas e muitos dos seus princípios foram estabelecidos em diferentes momentos e por diferentes pessoas, é questionável a relevância da ficção científica (e, em particular, de Heinlein e UENTE) para o surgimento e expansão do poliamor tal como ele é praticado e conceptualizado actualmente.

No fundo, a “influência” da inspiração é a influência mediática (fraca, forte, ou oscilando entre estas) tal como conceptualizada no princípio da sociologia da comunicação, carecendo ainda de muita da influência teórica que desde então se tem vindo a desenvolver. Castells (2002) pode ser lido em complementaridade com Williams (1974), neste aspecto, ao desenvolver a noção de que sociedade e mediações tecnológicas não podem ser destrinçadas, na medida em que se imbricam e implicam na leitura de qualquer dos elementos.

Ciências sociais – reducionismo e omissão na ficção científica

O segundo ponto de contestação que passa também por uma abordagem do poliamor trata da definição reducionista dos elementos usados para a definição de ficção científica. Se o poliamor se destaca da lista de Doctorow, apresentada no início, é apenas por ser a única referência que não está contingente de um artefacto tecnológico físico.

Parece haver um viés, não apenas nas temáticas dominantes deste género literário, como também na sua abordagem classificativa, que toma a parte pelo todo: as ciências ditas naturais, deterministas, físicas, tornam-se então as ciências da ficção científica, tornam-se o todo da ficção científica. Poderia, contra isto, argumentar-se que a ficção científica se marca pela tecnologia e seus usos – mas isto iria apenas revelar a segunda faceta do movimento reducionista.

Na medida em que a ficção científica parece necessitar das ciências ditas exactas e dos artefactos tecnológicos físicos, apaga as ciências sociais e humanas enquanto elemento passível de ser ficcionado enquanto ciências, e apaga as tecnologias que não passam necessariamente por artefactos físicos – nomeadamente as várias formas de tecnologias de poder que Foucault refere e que, se passam por vezes por objectos concretos, não se reduzem a estes.

Esta disciplina discursiva enquadra-se na linha da reificação do desenvolvimento tecnocientífico enquanto chave e finalidade do desenvolvimento (pós-)humano; ao mesmo tempo silencia o papel estruturante das ciências sociais e humanas na formação do sujeito contemporâneo (Rose, 1998). Note-se, então, que até o poliamor deveria, em última análise, a sua aparição e estabelecimento aos meios tecnológicos – uma história sobre viagens espaciais, marcianos a educar um humano e transladações psíquicas para a quarta dimensão (e, em boa justiça, sobre muito mais que isto) teria sido indispensável para o surgimento de uma recontextualização ética sobre os comportamentos afectivo-sexuais na sociedade ocidental contemporânea.

Certamente que os tópicos sociais destas histórias não são deixados de lado – e o livro 1984, de Orwell, que Doctorow menciona também, é um exemplo importante disso mesmo, bem como a série Star Trek – mas, novamente, a lente é a dos artefactos tecnológicos enquanto ferramentas humanas. Tome-se, por exemplo, o estrito controlo mantido sobre a História, nesse livro: era mantido através de um oneroso aparato tecnocientífico e burocrático que produzia, em segundo lugar, efeitos sociais, psicológicos e intelectuais. Ou, para entrar efectivamente em UENTE, é preciso importar (via nave espacial) uma forma radicalmente diferente de pensar a linguagem humana para que os próprios humanos possam adquirir capacidades telecinéticas e psíquicas que, mais uma vez, desbloqueariam uma série de potenciais eróticos, íntimos, sentimentais e outros. E se o papel da ficção científica enquanto forma de reflectir sobre o presente através do discurso do futuro é inegável, esta reflexão parcelar obscurece aquilo que poderia ser a ficcionalização de uma História outra, de uma Sociologia outra, de uma Antropologia outra e, radicalmente, de uma Filosofia outra.

A ficção científica enquanto espaço Outro

Uma possível leitura e reconceptualização aqui proposta é a de abordar a ficção – e aqui, especialmente, a ficção científica na sua vertente de reinvenção do significado literário de realismo – como um espaço. Não os espaços descritos pelas obras, mas o imaginário criado para cada universo da ficção científica enquanto um espaço próprio onde o leitor se transporta e é transportado. Neste caso, pretende-se abordar um tipo de espaço específico, o espaço dos “espaços outros” – das heterotopias, um conceito desenvolvido por Michel Foucault. Ao passo que as utopias são “sítios sem lugar real”, as heterotopias funcionam porque são

“sítios reais […] algo como contra-sítios, uma espécie de utopia efectivamente levada a cabo onde os sítios reais, todos os outros sítios que podem ser encontrados dentro da cultura, são simultaneamente representados, contestados e invertidos. Sítios deste tipo estão fora de todos os sítios, embora seja possível indicar a sua localização na realidade” (Foucault, 1984).

O livro de ficção científica pode apresentar um mundo utópico ao qual poderíamos aspirar, ou apresentar uma distopia que critica um presente ou um possível futuro; pode também simplesmente apresentar algo diferente daquilo que conhecemos, alterando muito ou pouco os pressupostos de base do funcionamento da nossa realidade. Seja como for, o espaço mental e de experimentação criado pelo livro, criado pela interacção entre obra e leitor, constitui-se enquanto heterotopia, enquanto este espaço que fornece “uma espécie de contestação, a um tempo mitológica e real, do espaço onde vivemos” (Foucault, 1984).

Utilizando os seis princípios organizadores da noção de heterotopia para Foucault, poderíamos apontar então a ficção científica como

  1. uma heterotopia de desvio (onde se trata a diferença, tanto a boa como a má, o Outro, o alienígena, o irreconciliável);
  2. vocacionada para a manutenção do diálogo sobre o papel da tecnologia (com a parcialidade acima descrita) dentro de uma determinada definição de “tecnologia” e de “ciência”, que pretende tornar transparentes essas outras formas de tecnologias e ciências que não pesam para a constituição de ficção científica;
  3. a congregação de espaços deslocados que representam, ao mesmo tempo, espaços contíguos ao leitor, com a presença da proficuidade linguística que Doctorow aponta, mas que nem sempre vem inventar algo de fundamentalmente novo (e.g.: quando Doctorow fala da importância da palavra “orwelliano” para descrever um sistema de vigilância, esquece o trabalho de Foucault em torno do panoptismo que, embora seja posterior à publicação do livro, tratava directamente de um sistema presente, e não de uma distopia projectada no futuro);
  4. a projecção para o futuro (ou para uma linha temporal alternativa) de problemas presentes e passados, reconhecíveis enquanto tal, elidindo na prática a ideia de futuro ou presente, na medida em que o pensamento do futuro é o pensamento do presente, e as mudanças fundamentais que um futuro implicaria no contexto sociocultural são colocadas em suspensão;
  5. uma abertura ritualizada em torno da suspensão da descrença que, ao mesmo tempo, pretende projectar o leitor para um mundo credível, realista, científico (verdadeiro) e que, ao fazê-lo, como dito acima, compromete a uma aceitação do que é científico e não é, do que é tecnológico e não é;
  6. uma relação com outros espaços que é, dependendo das obras em questão, de compensação ou de ilusão, em que se “cria um espaço de ilusão que expõe cada espaço real, todos os sítios dentro dos quais a vida humana é particionada” (Foucault, 1984) – a ficção científica permite uma visão divina (narrativa) sobre a organização da realidade, a construção de um mito organizador da experiência humana (tecnologicamente mediada), e a multiplicação de formas radicais de alteridade que afastam a diferença do humano (ou, inversamente, o humano da diferença) e, ao mesmo tempo, estabelece as balizas linguísticas segundo as quais se pode ou deve falar do futuro-presente.

É neste último elemento, de relação entre este espaço heterotópico e os outros espaços, reais, que se propõe uma superação da ideia de “inspiração” ou “previsão”. Ao invés de olhar as relações entre o género da ficção científica e o desenvolvimento científico (social) como relações de causa-efeito, é preciso antes fazer uma heterotopologia da ficção científica, uma reflexão sobre a forma como esta, enquanto espaço, interage com outros espaços, com outros tempos, e como estes processos se implicam mutuamente, sem cair no erro de esquecer a importância estratégica do seu léxico e capacidades de trazer certos tópicos a destaque, mas também sem cair no erro de a tornar o ponto de viragem e condição sine qua non para a existência do presente actual em virtude da ficção passada.

Bibliografia citada e consultada

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