Poliamor: género e não-monogamia na Internet

Fernando Cascais

FCSH – UNL

Daniel Cardoso

FCSH – UNL / ULHT

 

Resumo / Abstract

Poliamor – uma identidade de relação onde vários relacionamentos amorosos e/ou sexuais podem ter lugar simultaneamente, com o consentimento informado de todas as pessoas envolvidas. Como uma identidade recente, o poliamor está ainda a tentar estabelecer um lugar dentro do campo da alteridade sexual e de intimidade. Como uma forma não-hegemónica de performar relacionamentos, o poliamor coloca-se contra discriminações sexuais e de género, sendo composto por uma forte base feminista e, mesmo, queer. Mas até que ponto ocupa a questão do género um lugar cimeiro nas discussões sobre o tema, no discurso poliamoroso? De que forma é que a preocupação por uma maior igualdade de género (ou pela irrelevância do género) está presente, ou não, quando as noções de poliamor são apresentadas a outras pessoas? A partir do trabalho de feministas como Gayle Rubin e de uma perspectiva foucauldiana sobre a construção da identidade, esta comunicação procura problematizar o género tal como ele surge nos e-mails da mailing list “alt.polyamory” (a primeira sobre o tema). A pesquisa que lhe subjaz parte da análise das conversações iniciadas por recém-chegados à mailing list durante o ano de 2009, numa tentativa de compreender os processos identitários de aculturação que têm lugar entre a comunidade estabelecida e os neófitos. A pressuposição de uma igualdade de género dentro do discurso poliamoroso apresenta-se como um desafio específico desta análise – ao mesmo tempo, o feminismo está presente (como sub-texto) mas aparentemente ausente (como texto). A presente comunicação procura mostrar que este feminismo como sub-texto influencia a representação do poliamor e da criação de uma ética poliamorosa, bem como a sua relação com práticas de género e sexuais que ocorrem no contexto de uma sociedade hetero-mono-normativa e patriarcal; o género é construído e desconstruído, e o seu papel na comunicação é genderizado mas também mutável, ocupando assim um lugar representacional dúplice.  

 

Apresentação na Conferência