“Não me identifico”: cruzamentos de género e orientação sexual na participação cívica online em cidadania íntima de jovens portugueses

Apresentado em: Congresso Internacional 'Mulheres, Cidadania e Direito de Voto'. 21-22 de Novembro. Lisboa

 

Abstract

A cidadania íntima (Plummer, 1994) é uma faceta emergente do mais vasto campo da cidadania política entendida no seu sentido clássico. Em Portugal, apesar dos vários e importantes avanços (legislativos e sociais) nesta área, ainda muito está por fazer (Cascais, 2006; Santos, 2013a, 2013b). Os jovens, em particular, sofrem de uma “cidadania difícil” ao nível de questões de género e sexualidade (Robinson, 2012). Não obstante, a internet tem sido importante em fazer emergir novas narrativas, e criar espaços de visibilidade e discussão política (Policarpo, 2011).

Neste contexto, e a partir de onze entrevistas feitas a jovens entre os 17 e os 20 anos sobre as suas experiências do uso de novos media no contexto das suas vidas íntimas e sexuais, lidas através de Análise Foucauldiana de Discurso (Jäger & Maier, 2010), esta apresentação explora os diferentes posicionamentos face à participação cívica – online e presencial – sobre questões LGBT e de género. Fá-lo tomando como referência o conceito de subactivismo (Bakardjieva, 2009) e de activismo (Della Porta & Diani, 2006), procurando explorar actividades que vão para além da participação em actos políticos formais, e entendendo o activismo enquanto uma identidade negociada. Mostrar-se-á como questões de género, privilégio socioeconómico e de orientação sexual – em intersecção – são fundamentais para entender a participação cívica enquanto um jogo de (des)identificações e (des)responsabilizações que convocam uma governamentalidade de si e dos outros (Foucault, 2000, 2002).