Experiências de poliamor no espaço público: auto e hetero escrita etnográfica

Daniel Cardoso (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa)

Paulo Jorge Vieira (Centro de Estudos Geográficos)

O poliamor define-se como «a suposição [assumption] de que é possível, válido e valioso [worthwhile] manter relações íntimas, sexuais e/ou amorosas com mais do que uma pessoa» (Haritaworn et al., 2006). Esta identidade emergente, que pode ser traçada linguisticamente ao ano de 1990 (Cardoso, 2011), só recentemente começou a ganhar algum reconhecimento público em Portugal – em parte graças à exposição nos media em geral e também nos de cunho LGBT; e graças à realização de acções mais orientadas para o público, como encontros e picnics em espaços públicos, abertos a qualquer pessoa, previamente anunciados na internet. Isto implica uma espacialização do poliamor nos espaços públicos. Neste artigo, pretendemos abordar as formas como esta espacialização é performada e como afecta a percepção desses espaços públicos. Contrastaremos também estas experiências com outras, mais isoladas, de comportamento poliamoroso no espaço público, sem um contexto grupal, vendo o tipo de feedback e experiências associadas. Esta abordagem é feita em vários níveis diferentes, já que um dos autores vai analisar auto-etnograficamente a sua experiência em ambos os contextos, análise essa que será, depois, analisada e interpretada etnograficamente pelo outro autor. Tenta-se assim uma emulação metodológica do processo de escrita de si foucauldiano como forma alternativa de produção de experiências reflexivas no contexto de uma prática do cuidado de si, prática essa que muda tanto quem escreve como quem lê e comenta.

 

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