Internet, riscos e segurança online de crianças e jovens: resultados portugueses do projecto EU Kids Online

Autores

SIMÕES, José Alberto; PONTE, Cristina; JORGE, Ana; CARDOSO, Daniel (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. / 217908300) -
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, UNL

Abstract / Resumo

Comunicação a apresentar no Grupo de Trabalho "Usos, significados e contextos de utilização da internet e dos media digitais por crianças e jovens": A presente comunicação tem como fundo o inquérito EU Kids Online, realizado em 2010, a uma amostra de 25000 crianças e jovens e os seus respectivos pais, em 25 países europeus (ver www.eukidsonline.net). Para além de abordar questões relativas a acessos, usos, competências digitais e mediações (de pais, amigos, escola, entre outros agentes), esse inquérito teve um foco especial em questões ligadas aos riscos e à segurança online. Nesta comunicação iremos centrar-nos nos resultados relativos a Portugal. Como surge o país neste inquérito, cinco anos depois das políticas para o digital decorrentes do Plano Tecnológico? Que formas de acesso e usos caracterizam as crianças e jovens portugueses? Com que riscos se deparam online? Qual a mediação dos outros (sobretudo dos pais e dos professores) nas suas actividades online? Algumas conclusões apontam para uma utilização abaixo da média europeia por parte das crianças e jovens portugueses e, igualmente, para uma menor frequência de utilização do que os seus pares europeus. Constata-se, igualmente, uma aparente contradição entre a fraca frequência diária ao nível do uso e uma elevada posse de portáteis, sendo notória a importância dos espaços informais de acesso, como as bibliotecas e os centros juvenis. Dentro do espaço doméstico, o quarto da criança ou do adolescente apresentase como um contexto primordial para as actividades online. Verificou-se ainda que a incidência de riscos contemplados é relativamente baixa, o que se encontra associado ao baixo uso. Com efeito, os resultados europeus mostraram que o risco está positivamente correlacionado com o uso e que nem sempre o risco conduz a situações danosas. Em Portugal, o dano incidiu sobretudo sobre jovens de famílias menos favorecidas, os mais novos e as raparigas. Como o inquérito europeu concluiu, utilização sem riscos é improvável, pelo que o aumento dos usos (e a sua diversificação) comporta riscos, mas também oportunidades. São estas algumas das questões que serão indagadas nesta comunicação.